27-01-2022

40 ANOS INEM | I Jornadas de Emergência Médica

Nos dias 24 e 26 de janeiro de 1980, a Aula Magna em Lisboa recebeu as I Jornadas de Emergência Médica. Organizadas pelo Serviço Nacional de Ambulâncias (SNA), estas Jornadas serviram para refletir sobre a situação vivida na época, onde os acidentes e doenças súbitas eram as principais causas de mortalidade e morbilidade em Portugal.


Numa publicação do SNA datada de 1979, eram explicados os objetivos inerentes à realização deste evento, nomeadamente “a necessidade de enfrentar os acidentes e doenças súbitas [que] não se compadece com os métodos tradicionais da Medicina, na medida em que exige uma rapidez de intervenção só conseguida através do progresso das telecomunicações e utilizando um sistema integrado de socorros”. As Jornadas foram, assim, uma oportunidade de se discutir “a nova disciplina, a Emergência Médica, nascida da possibilidade de chegar mais depressa ao local do sinistro, quando os médicos e os socorristas ainda podem fazer alguma coisa de útil”.


Para tal, contou-se com a participação de várias sociedades científicas nacionais que discutiram os aspetos pluridisciplinares da prestação de cuidados a vítimas de acidente ou doença súbita. Por outro lado, marcaram também presença especialistas internacionais que partilharam as experiências dos seus países na organização e operacionalização dos serviços de emergência pré-hospitalares.


As conclusões e recomendações resultantes das I Jornadas de Emergência Médica levaram à criação do Gabinete de Emergência Médica (GEM), em 1980, que funcionou na dependência do Ministério da Saúde (por oposição do SNA que, na época, era pertencente ao Ministério da Defesa). Ao GEM coube avaliar a capacidade de resposta hospitalar no que respeitava às situações urgentes/emergentes e elaborar um projeto de organismo da área da Saúde que tivesse por missão coordenar um sistema integrado de emergência médica, adequado às características e necessidades do país.


A avaliação levada a cabo pelo GEM teve em conta o sistema de telecomunicações e de transporte de doentes já existente em Portugal, através da contribuição da Polícia de Segurança Pública, Guarda Nacional Republicana, Bombeiros e Cruz Vermelha Portuguesa. Entre as conclusões, o GEM defendia a formação em urgências médicas dos tripulantes de ambulâncias, mas também “maqueiros, enfermeiros e médicos” que trabalhavam nos serviços de urgência hospitalares.


O projeto do GEM ganhou corpo com a constituição, no ano seguinte, do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), que passou a coordenar o Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM).

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