22-06-2021

Programa de Desfibrilhação Automática Externa salva mais uma vida

Uma mulher de 80 anos de idade foi reanimada após ter sofrido uma paragem cardiorrespiratória numa superfície comercial em Tires. A utente foi prontamente socorrida por uma funcionária da loja, que iniciou de imediato manobras de Suporte Básico de Vida (SBV) com recurso a um Desfibrilhador Automático Externo (DAE). Este é mais um caso que demostra que os programas de Desfibrilhação Automática Externa salvam vidas.


Eram 10h34 do dia 16 de junho quando o alerta foi dado. Uma utente teria ficado inconsciente no interior de um supermercado, em Tires. Prontamente, uma funcionária da superfície comercial colocou em prática a sua formação. Sem demoras, ligou 112 e iniciou manobras de SBV. Como a superfície comercial detém um programa de DAE devidamente licenciado pelo Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), rapidamente aquela utente em paragem cardiorrespiratória teve acesso a um DAE. Após analisado o ritmo cardíaco pelo aparelho, foram administrados dois choques que reverteram a paragem cardiorrespiratória, tendo a utente recuperado os sinais de circulação ainda antes da chegada da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) do Hospital de São Francisco Xavier e da equipa dos Bombeiros Voluntários da Parede. A utente foi transportada ao Hospital de Cascais, consciente e orientada, e encontra-se a recuperar.


Este caso é conhecido pouco mais de uma semana depois do caso do jogador dinamarquês no jogo do Euro 2020. Duas situações que demostram a importância da instituição imediata de manobras de reanimação para reverter situações de paragem cardiorrespiratória.


Recorde-se que a morte súbita no adulto, na maioria das situações, é causada por uma arritmia cardíaca que impede o coração de bombear o sangue. O único tratamento eficaz para esta arritmia é a desfibrilhação elétrica que consiste na administração de choques elétricos ao coração parado, possibilitando que o ritmo cardíaco volte ao normal. Nestas situações, a probabilidade de sobrevivência é tanto maior quanto menor for o tempo decorrido entre o início da arritmia e a aplicação do choque elétrico (desfibrilhação), sobretudo se tiverem sido iniciadas imediatamente manobras de SBV.


Desde 2012 que é obrigatória a instalação de equipamentos de DAE em locais de acesso público que cumpram determinados requisitos, nomeadamente nos estabelecimentos comerciais de dimensão relevante, aeroportos e portos comerciais, estações ferroviárias, de metro e de camionagem com fluxo médio diário superior a 10 mil passageiros e recintos desportivos, de lazer e de recreio com lotação superior a 5 mil pessoas.


O número de utilizações de DAE, no âmbito do Programa Nacional de DAE do INEM, ascendeu às 8.822 em 2020. Em 711 dessas utilizações, foi recomendado pelo equipamento a administração de pelo menos um choque, o que é demonstrativo de um número significativo de vidas salvas pela utilização do DAE.


Existem atualmente no nosso país, 2.720 programas licenciados pelo INEM, 3.132 equipamentos colocados em espaços públicos e 25.805 operacionais formados para os utilizar.


Com o empenho de toda a comunidade, nomeadamente dos municípios, empresas e de toda a sociedade civil, será possível continuar a melhorar a resposta a situações de paragem cardiorrespiratória, salvando-se mais vidas.

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