31-12-2020

Balanço da Atividade do INEM em contexto Covid-19

Os trabalhadores e colaboradores do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) encontram-se, desde o primeiro momento, na linha da frente da resposta à COVID-19. No final de um ano extremamente desafiante e exigente, o INEM faz o balanço das estratégias e atividades desenvolvidas durante os últimos meses que, direta ou indiretamente, procuraram ajudar a travar a pandemia por COVID-19 no país.


Logo que foram identificados os primeiros casos de COVID-19 na Europa, o INEM desenvolveu e implementou um conjunto de medidas para preparar e concretizar a resposta à pandemia, tendo em conta uma estratégia assente em quatro grandes eixos: 1) garantir a operacionalidade dos meios de emergência e a continuidade do cumprimento da sua missão; 2) garantir a assistência médica pré-hospitalar imediata aos doentes suspeitos ou com COVID-19 que apresentassem sinais de gravidade; 3) apoiar o Ministério e as entidades da Saúde na resposta nacional e internacional à pandemia; 4) apoiar serviços essenciais de outras áreas governativas.


Norteado por estes eixos estratégicos, e contando com o esforço e compromisso de todos os seus profissionais, o INEM garantiu em pleno o cumprimento da sua missão e avançou com respostas inovadoras para fazer face à COVID-19.


A COVID-19 exigiu medidas específicas para garantir uma resposta eficaz

No início de março, o INEM implementou ambulâncias especializadas dedicadas ao transporte de casos suspeitos validados ou confirmados de infeção por SARS-CoV-2 e ativou a Sala de Situação Nacional (SSN). A SSN é um recurso disponível 24 horas por dia e que garantiu a gestão, acionamento e acompanhamento dos transportes especializados de casos suspeitos ou validados e das equipas de colheitas de material biológico, bem como os contactos institucionais com outras entidades envolvidas na resposta à pandemia. Esta medida permitiu que os Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do INEM se mantivessem dedicados, em exclusivo, à atividade de gestão das ocorrências de emergência médica do dia a dia.


Até 27 de dezembro, o INEM e os seus  parceiros no Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM) realizaram 88.656 transportes de utentes com suspeita de infeção por COVID-19.


Também em março, o INEM criou Equipas de Enfermagem de Intervenção Primária (EEIP) para proceder à colheita, acondicionamento e transporte de amostras biológicas necessárias ao diagnóstico de COVID-19 em locais específicos, como por exemplo estruturas residenciais para idosos ou estabelecimentos prisionais, para onde frequentemente são mobilizadas. Nos primeiros meses da pandemia, estas equipas eram igualmente acionadas para recolha de amostras de utentes que se encontravam em isolamento profilático, como forma de se diminuir a probabilidade de novos contágios e retirar pressão às unidades hospitalares.


No total, as equipas de colheita de amostras biológicas realizaram, até 27 de dezembro, 34.325 colheitas.


Em meados de outubro o INEM introduziu, na ferramenta de registo clínico, uma opção que permite às tripulações dos meios de emergência médica pré-hospitalar reportar situações em que tenham identificado risco de saúde pública, de forma a que o INEM possa alertar as entidades competentes para intervir adequadamente em cada situação. Estas situações são fundamentalmente resultantes de insalubridade, incumprimento de isolamento social, cuidados domiciliários insuficientes, incumprimento terapêutico, risco de surto em contexto de lares, exaustão do cuidador, ausência de seguimento por médico de família ou agudizações frequentes. Com esta nova funcionalidade, foi possível sinalizar 80 situações que careciam de intervenção complementar. 


Para além do transporte de casos suspeitos de COVID-19 e da realização de colheitas biológicas para diagnóstico, o INEM foi ainda chamado a intervir em contextos específicos. Por exemplo, entre 20 de março a 10 de maio, os aeroportos continentais contaram com o apoio do INEM para avaliar casos suspeitos de passageiros que chegavam aos aeroportos, num total de 1.598 passageiros monitorizados e 10 casos suspeitos confirmados. Foram igualmente controlados pelos trabalhadores do INEM 1.916 passageiros do navio cruzeiro MSC Fantasia, aportado em Lisboa. Adicionalmente, o INEM operacionalizou estruturas de apoio para unidade hospitalares, por exemplo, tendas de triagem nos Hospitais de São João, no Porto, e Dona Estefânia, em Lisboa, tendo ainda apoiado a montagem de “hospitais de campanha” em Ovar (Arena Dolce Vita) e Penafiel (Hospital Padre Américo) e apoiado a realização de testes COVID-19 na Região Metropolitana de Lisboa e em Paços de Ferreira.


Mas a ação do INEM em contexto pandémico não se limitou ao território continental. Em maio, em resposta a um apelo do governo são-tomense à Organização Mundial de Saúde, o INEM mobilizou uma equipa, constituída por um médico, dois enfermeiros e um técnico de logística, para São Tomé e Príncipe. Durante 26 dias, a equipa do INEM apoiou a montagem e materialização efetiva da estrutura de um Hospital de Campanha, reabilitou e readaptou o Serviço de Cuidados Especiais do Hospital Ayres Menezes e ministrou também formação, dirigida a médicos e enfermeiros tanto do Hospital de Campanha como do Hospital Ayres Menezes. Mais do que formar e estruturar as equipas de saúde para combater a COVID-19, a missão do INEM, em nome da OMS, reforçou a capacidade do Hospital para agir em situações de emergência médica.


Estratégias para reduzir o impacto da COVID-19 no Instituto

Num universo de 1.681 profissionais, entre trabalhadores e prestadores de serviços, a incidência da COVID-19 tem-se mantido relativamente controlada. Desde março, o INEM registou um total de 110 trabalhadores diagnosticados com COVID-19, sendo que à data deste comunicado, encontram-se 8 trabalhadores com diagnóstico COVID positivo.


Para apoiar os trabalhadores diagnosticados com COVID-19, o INEM alocou equipas para acompanhamento diário dos casos diagnosticados, em isolamento ou recuperados, nomeadamente através de apoio psicossocial.


Em contexto pandémico, assegurar o normal funcionamento dos serviços do INEM foi aliás uma das principais preocupações e que motivou transformações no seio do Instituto. Entre elas, a criação de condições para que 200 trabalhadores pudessem realizar as suas funções em teletrabalho. Neste âmbito, merece particular destaque a criação de condições técnicas para que o desempenho de funções nos CODU pudesse ser realizado em postos de trabalho virtuais, em regime de teletrabalho. Pela primeira vez na história do INEM, médicos, técnicos de emergência pré-hospitalar e psicólogos puderam atender e triar chamadas de emergência a partir das suas casas, como se estivessem fisicamente presentes no CODU. 


A comunicação interna foi também intensificada, com o objetivo de manter os profissionais do INEM devidamente informados sobre a situação pandémica, para além de se reforçar e sensibilizar para as medidas de contenção da COVID-19 em vigor. Uma das iniciativas levadas a cabo foi um ciclo de sessões virtuais sobre prevenção da COVID-19, abertas à participação de todos os profissionais, com o objetivo de clarificar conceitos e reforçar o conhecimento de todos os trabalhadores sobre as diversas facetas e implicações inerentes à COVID-19.


O combate à COVID-19 ampliou a atividade do INEM

As Estruturas Residenciais para Idosos (ERPI) foram, no contexto pandémico nacional, uma das principais preocupações das autoridades de saúde, por serem muitas vezes focos de surtos de COVID-19. Nesse sentido, o INEM desenvolveu um produto pedagógico específico para prevenção e controlo de infeção em ERPIs. Este produto foi concretizado quer em ações de formação presenciais, quer numa formação online que o INEM disponibilizou a todas as instituições de solidariedade social. Esta iniciativa do INEM foi recentemente reconhecida pela International Hospital Federation através do ‘Programa de Reconhecimento da Resposta à COVID-19’ (‘IHF Beyond the Call of Duty for COVID-19’).

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Em abril, o INEM disponibilizou uma formação sobre a atuação em casos suspeitos de COVID-19 para operacionais do Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM), Bombeiros e Cruz Vermelha Portuguesa. Intitulada “COVID-19 Precauções Básicas do Controlo de Infeção”, a formação é composta por aulas virtuais, vídeos sobre colocação de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), documentação de apoio, teste de conhecimentos, entre outros.


Em maio, o INEM produziu dois vídeos em Língua Gestual Portuguesa para explicar aos cidadãos surdos alguns conselhos sobre o que fazer durante a pandemia. Num vídeo são explicadas quais a regras que devem ser adotadas para evitar o contágio, nomeadamente, as relacionadas com etiqueta respiratória e isolamento social. É ainda explicado o que fazer perante o surgimento de sinais e sintomas compatíveis com COVID-19. Noutro vídeo, feito em colaboração com o Centro de Apoio Psicológico e Intervenção de Crise (CAPIC) do INEM, são evidenciadas algumas das reações emocionais que podem surgir fruto de eventuais medidas de isolamento ou quarentena.


Resposta a situações de emergência médica nos padrões habituais

Apesar do contexto atípico, foi possível manter os padrões habituais da atividade assistencial do INEM e dos seus parceiros do SIEM. Entre janeiro e novembro, os CODU do INEM atenderam 1.194.839 chamadas de emergência, o que representa, em média, 3.566 chamadas de emergência por dia. Quanto ao acionamento de meios, nos meses em análise foram ativados 1.069.173 meios de emergência. 


Num ano absolutamente exigente e desafiante a vários níveis, o INEM e os seus profissionais souberam adaptar-se à nova realidade e continuar a desempenhar a sua principal missão, em conjunto com os seus parceiros do SIEM, garantindo a prestação de cuidados de emergência pré-hospitalar a todos os cidadãos que deles necessitaram.


Os números e as ações aqui descritas demonstram de forma inequívoca que Portugal pode contar com o INEM e com os seus trabalhadores, colaboradores e parceiros, da mesma forma que o INEM irá continuar a contar com a colaboração de todos os portugueses para cumprir a sua missão.

imagem do post do Balanço da Atividade do INEM em contexto Covid-19
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