Registo Nacional de PCR-PH

Conceito

A reanimação cardiorrespiratória tornou-se um importante ramo da medicina, com interesse para múltiplas especialidades e organizações. Diferentes sistemas não podiam ser comparados enquanto os vários dados obtidos em cada sistema não fossem comparáveis. Nesse sentido, peritos de vários países reuniram-se na cidade norueguesa de Utstein e elaboraram as recomendações internacionais para a uniformização da colheita de dados dos eventos de paragem cardiorrespiratória para os ambientes intra e extra-hospitalar.

 

Por outro lado, as recomendações conjuntas do European Resuscitation Council e da European Society of Cardiology para a utilização de desfibrilhadores automáticos externos (DAE) na Europa, consideram que a organização de programas de DAE deve ter por base a recolha exaustiva de dados sobre a prevalência e epidemiologia da morte súbita na área.

 

Em Portugal, o INEM, no âmbito das suas competências, criou e desenvolveu o registo nacional de paragem cardiorrespiratória pré-hospitalar (RNPCR-PH).

 

 

Objetivos

Construir um registo observacional, prospetivo e contínuo, a partir do qual possam ser obtidos dados sobre a prevalência de morte súbita em Portugal.

 

Monitorizar a atividade de DAE em Portugal nos diferentes âmbitos: Programa de DAE no Sistema Integrado de Emergência Médica e Programas de DAE em locais de acesso ao público.

 

 

Entidades Integradas no RNPCR-PH

Todas as entidades que integram o Programa Nacional de DAE (Programas de DAE em locais de acesso ao público e Programas do SIEM) deverão fazer registos de PCR, quer tenha ou não havido utilização de DAE e independentemente de terem sido administrados choques.

 

Outras entidades que não tenham ainda programas de DAE autorizados mas que prestam socorro no âmbito do SIEM poderão igualmente participar no RNPCR-PH, reportando os casos de PCR com que se deparem.

 

Futuras expansões do Programa Nacional de DAE levarão em linha de conta os registos efetuados pelas várias entidades que colaboram neste registo.

 

 

Folhas de Registo e Base de Dados Nacional

Como mencionado acima, os Registos de Paragem Cardiorrespiratória (PCR) constituem um aspeto essencial de qualquer programa de DAE.

 

Estes registos permitem o controlo de qualidade quer do Programa no seu todo quer dos operacionais a título individual e são peça fundamental do processo de auditoria do sistema.

 

O Programa Nacional de DAE (PNDAE) prevê que todos os programas de DAE licenciados pelo INEM efetuem registos de todas as situações de paragem cardiorrespiratória ocorridas nos espaços abrangidos pelos respetivos programas, quer tenha ou não havido utilização de DAE (e independentemente de terem ou não sido aplicados choques).

 

No sentido de uniformizar os elementos recolhidos nos registos de PCR dos vários programas, o PNDAE adota o Modelo de Utstein previsto para situações de paragem cardiorrespiratória em ambiente pré-hospitalar que adaptou para a realidade portuguesa.

 

Foram elaboradas duas folhas de registo distintas para serem utilizadas no meio pré-hospitalar.

 

Uma folha de registo para ser preenchida pelos operacionais dos meios de resposta à emergência incluídos no Sistema Integrado de Emergência Médica (tipicamente os tripulantes das VMER e das ambulâncias de socorro);

 

Uma segunda folha de registo destinada a ser preenchida pelos operacionais de DAE e pelos responsáveis médicos dos programas de DAE em locais de acesso ao público.

 

Para esta segunda folha de registo foi adaptado para a nossa realidade o modelo universal de registo preconizado para programas de acesso público pelo Department of Health, em Inglaterra, e publicado por Michael Colquhoun et al na revista Resuscitation 61 (2004) 49-54.

 

A Coordenação do PNDAE recomenda fortemente a utilização das fichas de registo de PCR, de modo a existirem dados nacionais uniformizados para futuras análises do Programa Nacional de DAE.

 

Com vista a atingir este objetivo, o INEM está a desenvolver esforços no sentido de implementar uma base de dados, com suporte na WEB, para que todos os responsáveis por programas de DAE licenciados pelo INEM, possam introduzir os seus registos na base de dados nacional e assim, sem possível comparar, a qualquer momento, os resultados do seu programa com os resultados da totalidade dos programas incluídos no PNDAE.

 

Até que sejam disponibilizadas as respetivas senhas de acesso à base de dados nacional, a coordenação do PNDAE sugere desde já a utilização dos registos em papel segundo os modelos recomendados neste documento.

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