Alerta Pessoas em Risco

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Medida SIMPLEX + Saúde 2016/2017

 

Enquadramento

As situações de pobreza e exclusão social devem ser o mais precocemente detetadas e sinalizadas, tendo em conta os efeitos secundários ou colaterais que daí podem advir. Estas situações foram agravadas devido à conjuntura social vivenciada nos últimos anos e aumentam ainda, devido a diversos fatores como o geográfico/territorial (urbano/rural), habitacional ou o desemprego,

Para além disso, o envelhecimento da população, o aumento das comorbilidades, os esquemas terapêuticos cada vez mais complexos, o isolamento social e geográfico, num contexto socioeconómico desfavorável, contribuem para a enorme procura de serviços clínicos, constituindo um grande desafio para os profissionais de saúde.

 

Foi neste contexto que o INEM, enquanto prestador de cuidados de saúde de proximidade com as comunidades, se posicionou como executor de uma das Medidas SIMPLEX + Saúde (Medida 34), procurando contribuir para o alargamento da base de dados que referencia ou sinaliza esses cidadãos(ãs).

Com esta iniciativa, o INEM pretende facilitar o apoio à proteção social, através da comunicação da perceção de sintomas ou sinais indicadores das situações supra referidas.

 

Primeira fase do Projeto

Para a implementação desta medida, numa primeira fase (em outubro de 2016), foi criada na aplicação de registo clínico eletrónico dos meios de emergência médica (Icare – Integrated Clinical Ambulance Record), uma funcionalidade para sinalização destes casos, que veio possibilitar a identificação de situações de risco que se perceciona ou observa aquando da intervenção dos meios INEM.

 

Considerou-se, nesta primeira fase, as seguintes tipologias:

  • Não adesão terapêutica ou aparente inadequação terapêutica
  • Isolamento social
  • Necessidade de cuidados de saúde domiciliários
  • Insalubridade

Assim, através desta referenciação de cidadãos(ãs) em situação de risco, passou a ser possível a identificação de situações de maior prevalência no encaminhamento para as Unidades de Saúde e com maior possibilidade de integração na referenciação desta tipologia de situações.

 

Monitorização da atividade desenvolvida na primeira fase

 

Gráfico Monitorização

 

Segunda fase do Projeto: Projeto piloto

Na sequência da implementação da primeira fase, surgiu a necessidade de garantir o encaminhamento de cidadãos(ãs) sinalizados, enquanto situação de risco, para as entidades competentes, assegurando, assim, não apenas a deteção, mas também que o problema possa ser devidamente acompanhado.

No âmbito desta colaboração, o INEM configura-se como um facilitador de apoio e proteção social aos cidadãos(ãs) em situação de risco e promove sinergias interinstitucionais, maximizando os recursos existentes.

 

Assim, para melhoria da sinalização de situações em risco e após avaliação desta atividade, em julho de 2017, o INEM deu inicio à implementação de Projeto Piloto, numa primeira fase na Região Norte, na Ambulância de Suporte Imediato de Vida (SIV) de Gondomar, com o objetivo de identificar outras instituições/entidades para encaminhamento das situações sinalizada e garantir o encaminhamento dos(as) cidadãos(ãs) para as entidades competentes na respetiva matéria, na área de atuação do meio INEM.

 

Foram analisados os casos sinalizados entre outubro de 2016 e julho de 2017, na SIV de Gondomar, para identificação das instituições/entidades que deverão ser notificadas para acompanhamento das situações, designadamente Guarda Nacional Republicana (GNR), Segurança Social, Misericórdias, Administração Regional de saúde (ARS) e a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), atualmente com protocolo de colaboração com o INEM com vista à regulação da colaboração no âmbito da temática das vítimas de violência doméstica e de crime, nomeadamente de criminalidade violenta.

 

A colaboração com estas entidades, permitirá uma maior facilidade em assegurar apoio e proteção social aos cidadãos(ãs) em situação de risco.

 

Após análise dos casos sinalizados, por um período de 3 meses, procedeu-se à identificação das medidas subsequentes necessárias à extensão deste Projeto para o nível nacional.

 

Procedimentos a implementar no âmbito do Projeto Piloto

1. A sinalização de cidadãos(ãs) em situação de risco e subsequente notificação para os profissionais do ACES (Agrupamentos de Centros de Saúde) Gondomar será realizada pela equipa do meio SIV, através de modelos próprios criados para o efeito e, em redundância, através da sinalização na aplicação de registo clínico dos meios INEM;

2. A notificação dos profissionais do ACES responsáveis pelo acompanhamento dos casos sinalizados será realizada por correio eletrónico, no máximo até 24 horas após a identificação da situação de risco e de acordo com os seguintes critérios:

a) Os casos sinalizados como Não adesão terapêutica ou aparente inadequação terapêutica e/ou a Necessidade de cuidados de saúde domiciliários serão referenciados para o respetivo Médico e Enfermeiro de Família e para a Coordenação das entidades parceiras neste projeto (ACES Gondomar e INEM);

b) Os casos sinalizados como Isolamento social e/ou Insalubridade serão referenciados para a Assistente Social do ACES Gondomar, com conhecimento ao Médico e Enfermeiro de Família, e para a Coordenação das entidades parceiras neste projeto;

3. Para a identificação dos profissionais a notificar (Assistente Social, Médico e Enfermeiro de Família), os enfermeiros do meio SIV Gondomar deverão ter um acesso de consulta à informação do ACES, estritamente necessária neste contexto;

4. Após 72 horas, 7 e 30 dias da referenciação pela equipa do meio SIV, o INEM deverá efetuar um contacto telefónico com o profissional do ACES notificado, por forma a registar o resultado de encaminhamento de cada um dos casos sinalizados.

5. O INEM garante a recolha e tratamento da informação necessária para a produção do relatório de avaliação do Projeto Piloto, dando conhecimento deste ao Conselho Executivo/Clínico do ACES Gondomar.

 

Ações propostas no âmbito do Projeto Piloto

1. Estabelecer parceria com o ACES Gondomar e ARS Norte, no sentido de garantir aos enfermeiros da SIV Gondomar um acesso de consulta aos dados estritamente necessários para a notificação dos casos sinalizados, nomeadamente:

a) Dados do utente: Número Utente de Saúde, Unidade Funcional do ACES a que pertence, Assistente Social de referência, Médico e Enfermeiro de Família

b) Dados dos profissionais do ACES a notificar: número de telefone e endereço eletrónico para contacto no âmbito restrito deste Projeto

2. Em conjunto com o ACES Gondomar promover estratégias que visam informar todos os profissionais do ACES sobre a existência do Projeto e garantir a sensibilização dos mesmos, através dos canais próprios do ACES (mail / intranet / etc..), consciencializando para a importância da sua colaboração na garantia do acesso, pelo cidadão(ã), a cuidados de saúde primários e apoio social urgentes;

3. Avaliar e, conjunto com o ACES a pertinência e a exequibilidade da saúde mental ser envolvida no projeto;

4. Realizar uma ação de formação para todos os profissionais que operacionalizam o meio SIV Gondomar, com os objetivos de: envolver no projeto, rever conceitos inerentes e informar sobre os procedimentos a adotar neste contexto;

5. Criar panfleto, tamanho A5, com resumo da informação essencial e procedimentos adotar no âmbito deste projeto, como forma de suporte para a equipa consultar a qualquer momento;

6. Implementar e monitorizar o Projeto Piloto, introduzindo medidas corretivas se necessário;

7. Apresentar relatório de avaliação do Projeto Piloto ao Conselho Diretivo do INEM, propondo as medidas necessárias para a sua extensão aos restantes meios de emergência.

8. Nesta data (abril/2018), o projeto está em processo de identificação dos profissionais de referência do ACES (Gondomar) para quem o INEM referenciará o utente atendido e identificado nestas situações.

 

 

Fases futuras do Projeto: completar o ciclo de aplicação da informação com medidas concretas perante a identificação da situação

  • Extensão a nível nacional
  • Avaliação da inclusão de outras situações passíveis de referenciação
  • Iniciados contactos com o SNS 24 (Centro de contacto do SNS) para garantir o eficaz encaminhamento das situações referenciadas pelos operacionais. (aguarda resposta dos SPMS relativa ao desenvolvimento do projeto de teleassistência).
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