O Sistema Integrado de Emergência Médica

O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) é o organismo do Ministério da Saúde responsável por coordenar o funcionamento, no território de Portugal continental, de um Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM), de forma a garantir aos sinistrados ou vítimas de doença súbita a pronta e correta prestação de cuidados de saúde.

 

A prestação de socorros no local da ocorrência, o transporte assistido das vítimas para o hospital adequado e a articulação entre os vários intervenientes no SIEM (PSP, GNR, INEM, Bombeiros, Cruz Vermelha Portuguesa e os Hospitais e Centros de Saúde) são as principais tarefas do INEM.

 

Este sistema é ativado quando alguém liga 112, o Número Europeu de Emergência. O atendimento das chamadas cabe à PSP e à GNR, nas centrais de emergência. Sempre que o motivo da chamada tenha a ver com a área da saúde, a mesma é encaminhada para os Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do INEM.

 

O INEM, através do Número Europeu de Emergência – 112, dispõe de vários meios para responder com eficácia, a qualquer hora, a situações de emergência médica.

 

O INEM recorda que os meios de emergência devem ser apenas utilizados em situações de risco de vida. Para uma correta avaliação da situação, é fundamental que ligue 112 e colabore com o INEM, respondendo às perguntas que lhe são colocadas.

O Que Fazer em Caso de Emergência

O Número Europeu de Emergência – 112 é atendido em primeira linha por uma Central de Emergência da Polícia de Segurança Pública (PSP), que encaminha para o INEM as chamadas que à saúde digam respeito. Após receber a chamada transferida pela Central 112, o INEM inicia um processo de localização, triagem e aconselhamento.

 

 

O que fazer?

Informe, de forma simples e clara:

  • A localização exata e, sempre que possível, com indicação de pontos de referência. Esta localização é imprescindível para enviar a ajuda necessária, devendo ser o mais completa possível;
  • O número de telefone do qual está a ligar;
  • O tipo de situação (doença, acidente, parto, etc.);
  • O número, o sexo e a idade aparente das pessoas a necessitar de socorro;
  • As queixas principais e as alterações que observa.

 

Só assim é possível o INEM enviar os meios de socorro adequados à condição clínica das vítimas, ajuda que pode passar pelo acionamento de Ambulâncias de Emergência ou Socorro, Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação, Motociclos de Emergência Médica, Helicópteros de Emergência Médica, entre outros.

 

 

O que não fazer?

  • Nunca desligar a chamada de emergência até que lhe digam que o pode fazer;
  • Não fazer chamadas falsas para o 112. Use este número apenas em caso de emergência.

 

Para ajudar, basta manter a calma e responder às questões colocadas pelos operadores, seguindo todas as indicações.

Quais os Critérios do INEM para Enviar Meios de Socorro

O INEM tem por missão acudir a situações de emergência médica. A diferença entre os conceitos de Urgência e Emergência Médica não é apenas uma questão de português: a gestão dos meios de socorro tem de ser feita de forma criteriosa para que não faltem em situações em que são realmente necessários.

 

Após receber a chamada transferida pela Central 112, o INEM inicia um processo de localização, triagem e aconselhamento da ocorrência. Esta triagem é feita com base nas questões colocadas ao contactante e permite identificar se a situação é urgente ou emergente.

 

Através dos dados recolhidos no diálogo com o contactante, e recorrendo às aplicações informáticas disponíveis no Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), o INEM consegue avaliar se a situação coloca a vítima em risco de vida e envia para o local o(s) meio(s) de emergência mais apropriado(s).

 

Numa situação de urgência, a vítima pode ter necessidade de ser observada numa unidade hospitalar para receber o tratamento adequado, mas não corre risco de vida imediato. Nestes casos, a chamada é transferida para a Linha Saúde 24, serviço do Ministério da Saúde constituído por profissionais qualificados e preparados para aconselhar os doentes sobre a melhor forma de melhorar o seu estado de saúde.

 

Esta Linha pode aconselhar a deslocação do doente a uma unidade de saúde, sendo dadas alternativas ao contactante para que seja efetuado um outro tipo de transporte, serviço esse garantido por entidades como Corporações de Bombeiros, Cruz Vermelha Portuguesa ou empresas privadas que se dedicam ao transporte de doentes.

 

Já numa situação emergente, a vítima apresenta sinais e sintomas que indicam estar-se perante uma situação de risco de vida iminente, sendo necessária a prestação de cuidados de saúde ainda no local e durante o transporte até à unidade de saúde adequada para o um tratamento eficaz.

 

Sempre que verificar uma situação de emergência, o INEM envia os meios de socorro adequados. Por isso, a avaliação correta da situação é fundamental!

Cadeia de Sobrevivência

A “Cadeia de Sobrevivência” é composta por quatro elos que traduzem o conjunto de procedimentos vitais para recuperar uma vítima de paragem cardiorrespiratória (PCR).

 

Os quatro elos da cadeia de sobrevivência são:

 

Acesso precoce ao Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM) – 112

O rápido acesso ao SIEM assegura o início da Cadeia de Sobrevivência. Cada minuto sem se chamar o socorro reduz a possibilidade de sobrevivência da vítima. Por isso, é fundamental ligar 112 e colaborar com o operador.

 

Início precoce de Suporte Básico de Vida (SBV)

Para aumentar a probabilidade de sobrevivência de uma vítima de paragem cardiorrespiratória é fundamental iniciar de imediato manobras de SBV.

 

Desfibrilhação Precoce

A maioria das PCR no adulto ocorrem devido a perturbações do ritmo cardíaco. O único tratamento eficaz é a desfibrilhação, que quando aplicada precocemente alcança uma alta taxa de sucesso.

 

Suporte Avançado de Vida (SAV) precoce

O Suporte Avançado de Vida permite, através de cuidados médicos avançados, conseguir uma ventilação e uma circulação mais adequadas. Idealmente, o SAV deverá ser iniciado ainda na fase pré-hospitalar e continuado no hospital.

 

Cada um dos elos da cadeia de sobrevivência é vital e todos têm a mesma importância. De nada serve ter o melhor SAV se quem presencia a PCR não souber ligar 112!

Avaliação do Estado de Consciência

Os acidentes e as doenças súbitas acontecem quando menos se espera, sendo uma mais-valia estar preparado para atuar. É por isso importante saber abordar uma vítima e avaliar o seu estado de consciência.

 

Perante qualquer situação de emergência, antes de se aproximar da vítima, deve confirmar se existem condições de segurança no local, para si e para a vítima. Havendo condições de segurança, aproxime-se e verifique se a vítima responde.

 

Para tal, abane suavemente os ombros e pergunte em voz alta: “Está bem? Sente-se bem?”.

  • Se a vítima responde significa que está consciente. Tente perceber o que se passou e se necessário ligue 112.
  • Se a vítima não responde, considere que está desmaiada.

 

Caso a vítima não responda, precisa saber se ela respira. Para avaliar se uma vítima respira deve Ver se o tórax expande, Ouvir a passagem de ar e Sentir a expiração na face.

 

Siga estes passos:

  • Coloque uma mão na testa e dois dedos da outra mão no queixo da vítima, provocando uma ligeira extensão da cabeça. Este gesto melhora a passagem do ar para os pulmões.
  • Coloque o seu ouvido perto da boca e nariz da vítima e olhe para o peito dela. Preste atenção a sons de respiração, se sente o ar da respiração no seu rosto e se observa os movimentos respiratórios do peito da vítima. Faça isto durante 10 segundos.

 

Se respira normalmente:

Se indicado, coloque a vítima em Posição Lateral de Segurança, avalie a situação e ligue 112.

 

Se não respira normalmente:

Ligue 112 e inicie manobras de Suporte Básico de Vida (reanimação).

Posição Lateral de Segurança

Se se deparar com uma vítima inconsciente mas a respirar normalmente e se não suspeitar ser vítima de trauma, deve colocá-la na chamada “Posição Lateral de Segurança” (PLS).

 

Nesta posição as vias aéreas ficam desimpedidas, garantindo que a queda da língua não impede a passagem de ar para os pulmões e que, caso existam líquidos, não obstruam as vias aéreas. Abandone a vítima apenas se necessário para ir chamar ajuda e avalie-a regularmente para assegurar que não há agravamento do seu estado clínico.

 

Siga estes passos:

  • Ajoelhe-se e alinhe o corpo da vítima, que deve ficar com os braços estendidos ao longo do corpo. Retire-lhe óculos e objetos volumosos dos bolsos.
  • Coloque o braço da vítima que está junto a si dobrado, com a palma da mão virada para cima e ao nível da cabeça.
  • Permaneça onde está e pegue na outra mão da vítima. Dobre-lhe o braço por forma a cruzar o peito e a colocar as costas da mão na face da vítima do seu lado. Após este movimento, segure do lado oposto ao seu a perna da vítima na zona do joelho, levante-a e dobre-a.
  • Utilize a perna dobrada para ajudar a rolar a vítima para o seu lado. Durante este movimento mantenha uma mão a apoiar a cabeça da vítima enquanto a faz rolar.
  • Certifique-se que a vítima está a respirar.
  • Ligue 112 e fique atento a alterações do estado da vítima enquanto aguarda pelo socorro.

Suporte Básico de Vida

A paragem cardiorrespiratória (PCR) é um acontecimento súbito, constituindo-se como uma das principais causas de morte em todo o mundo. O SBV aumenta substancialmente a probabilidade de sobrevivência da vítima quando iniciado nos primeiros minutos após a paragem cardíaca, e consiste essencialmente em duas ações: compressões torácicas e ventilações.

 

Por isso, após garantir as condições de segurança do local onde se encontra a vítima, verifique se esta está consciente abanando-lhe suavemente os ombros e chamando por ela. No caso de a vítima não responder, considere que está desmaiada (inconsciente) avaliando depois se respira, recorrendo à técnica VOS: Ver se o tórax expande, Ouvir a passagem do ar e Sentir a respiração na face.

 

Caso a vítima não respire, ligue de imediato 112 (ou garanta que alguém o faz), recorrendo à alta voz do seu telemóvel, e se necessário abandonando a vítima.

 

Depois inicie o SBV até a vítima recuperar ou chegar ajuda diferenciada.

 

Como fazer Suporte Básico de Vida?

  • Deite a vítima de costas no chão ou sobre uma superfície rígida.
  • Coloque as suas mãos sobrepostas com os dedos entrelaçados no meio do peito da vítima.
  • Com os braços esticados e perpendiculares ao corpo da vítima, pressione o peito, fazendo com que este baixe visivelmente e alivie. Repita 30 vezes este movimento de compressão e descompressão do peito da vítima a um ritmo de 100 a 120 por minuto.
  • Ao fim das 30 compressões efetue duas ventilações através da boca da vítima. Para isso encha os pulmões de ar e expire para a boca da vítima, tapando-lhe o nariz com os seus dedos e isolando com os seus lábios os da vítima, para que não exista fuga do ar. Embora a ventilação boca-a-boca seja relativamente segura, sem casos de infeção grave descritos, é recomendável a utilização de máscaras de reanimação. Nos casos em que não seja possível fazer ventilações, faça apenas as compressões.
  • Após ventilar, retome as compressões e siga sempre a sequência de 30 compressões torácicas com 2 ventilações. Mantenha as manobras até à chegada de ajuda ou a vítima recuperar.

 

Particularidades do SBV Pediátrico:

  • Logo que verifique que o latente/criança não respira normalmente, faça 5 ventilações apenas com a quantidade de ar necessária para expandir eficazmente o tórax.
  • Adapte as compressões ao tamanho da vítima: se bebé até um ano use apenas 2 dedos e se criança até 8 anos apenas uma mão, deprimindo até 1/3 da altura do tórax.

Obstrução da Via Aérea

A obstrução da via aérea consiste no que habitualmente se designa por “engasgamento”. Quando se trata de uma obstrução por um corpo estranho a vítima vai ter dificuldade em respirar porque o ar não chega aos pulmões.

 

Se a vítima conseguir tossir, ainda passa algum ar para os pulmões e estamos perante uma Obstrução Ligeira. Se a vítima deixar de conseguir tossir, estamos perante uma Obstrução Grave da Via Aérea.

 

Num adulto ou numa criança, o procedimento é basicamente o mesmo, apenas com algumas adaptações em função da idade da vítima.

 

Como proceder perante uma obstrução da via aérea?

  • Enquanto a vítima conseguir tossir, encoraje a tosse na tentativa de expelir o corpo estranho;
  • Se resolver, avalie a situação e recorra a um serviço de saúde se necessário;
  • Se a vítima não conseguir tossir, aplique cinco pancadas nas costas:
  1. Coloque-se ao lado e ligeiramente por detrás da vítima;
  2. Passe o braço por baixo da axila da vítima e suporte-a a nível do tórax com uma mão, mantendo-a inclinada para a frente, numa posição tal que se algum objeto for deslocado com as pancadas possa sair livremente pela boca;
  3. Aplique até 5 pancadas com a base da outra mão, na parte superior das costas, entre as omoplatas.
  • Se não resolver a obstrução efetue até cinco compressões abdominais:
  1. Coloque-se por trás da vítima e circunde o abdómen da vítima com os seus braços;
  2. Feche o punho de uma mão e posicione-o acima do umbigo, com o polegar voltado contra o abdómen da vítima;
  3. Sobreponha a 2ª mão por cima da outra e aplique uma compressão rápida para dentro e para cima;
  4. Repita até cinco vezes este processo
  • Intercale as pancadas nas costas com as compressões abdominais até a situação se resolver ou a vítima ficar inconsciente;
  • Se a vítima ficar inconsciente, ligue de imediato 112 e inicie Suporte Básico de Vida.

 

Qualquer vítima que tenha sido sujeita a este tipo de manobras, deve ser encaminhada ao Hospital para prevenir algum tipo de lesão associada (ligue 112).

 

Particularidades da OVA Pediátrica:

No caso de um bebé (até um ano), realize as pancadas nas costas segurando-o de barriga para baixo com a cabeça levemente mais baixa do que o tórax, apoiada no seu antebraço e apoie a cabeça e a mandíbula do lactente com a sua mão;

 

Substitua as compressões abdominais por compressões torácicas, usando apenas 2 dedos para comprimir o tórax. Verifique a boca no final de cada ciclo de 5 compressões.

Enfarte Agudo do Miocárdio

O Enfarte Agudo do Miocárdio (EAM), vulgarmente conhecido por ataque cardíaco, é uma emergência médica em que cada minuto conta porque há o risco de o coração parar. O seu objetivo é confortar, apoiar e monitorizar a condição da vítima enquanto espera pelos serviços de emergência.

 

O reconhecimento precoce dos sinais e sintomas do EAM é fundamental e deve motivar o contacto com o 112. Esta é a via preferencial dado que reduz o intervalo de tempo até ao início da avaliação, diagnóstico, terapêutica e agilização do transporte para a unidade hospitalar mais adequada.

 

São sinais e sintomas de um possível Enfarte:

  • Dor apertada no peito com uma sensação de esmagamento e que não acalma quando a vítima se põe em repouso;
  • Irradiação da dor para o braço, pescoço, mandíbula ou costas;
  • Dificuldade em respirar;
  • Pele pálida, acinzentada, pegajosa ou suada;
  • Desconforto abdominal, náuseas e vómitos.

 

Encontrando-se perante sinais e sintomas de um Enfarte, deve ter em atenção o seguinte:

  • Coloque a vítima confortável: tranquilize a vítima, sente-a numa posição confortável e impeça-a de fazer qualquer tipo de esforços;
  • Não perca tempo e ligue imediatamente para o 112: colabore com o Operador do INEM informando quais os sinais e sintomas que a vítima apresenta;
  • Explique o que se passa e siga as instruções que lhe forem dadas;
  • Monitorize a vítima: observe a atividade respiratória e a pulsação enquanto aguarda pelas equipas de emergência. Se existir alguma alteração deverá transmiti-la às equipas;
  • Não deve ir para o hospital por meios próprios: o hospital mais perto pode não ser o mais indicado;
  • Nunca espere que a dor passe por si: o tempo de atuação é fundamental!

 

O EAM é uma das principais causas de morte em Portugal, ocorrendo quando se dá uma interrupção súbita da perfusão sanguínea coronária, prolongada e total ou quase total, que só é confirmado após a realização de um eletrocardiograma.

 

A realização de exames médicos de rotina, os hábitos de vida saudáveis, a prática de desporto de forma regular, evitar o tabaco e a vida sedentária, são algumas das formas de prevenção eficazes e acessíveis a todos os cidadãos.

Acidente Vascular Cerebral

O Acidente Vascular Cerebral (AVC), também vulgarmente conhecido por trombose ou embolia cerebral, continua a ser uma das principais causas de morte em Portugal, sendo também a principal causa de morbilidade e de potenciais anos de vida perdidos no conjunto das doenças cardiovasculares.

 

O AVC acontece quando o fornecimento de sangue para uma parte do cérebro é impedido, devido a um bloqueio ou derrame. É uma emergência médica que exige uma atuação rápida.

 

No entanto, as estatísticas revelam que na maioria dos casos, o pedido de socorro é feito tardiamente. É importante saber que a janela de tempo entre o início dos sinais e sintomas do doente e o início do tratamento hospitalar, não deve ser superior a 6 horas.

 

Assim, é essencial que cada cidadão saiba quais os sinais de alerta do AVC e como utilizar de forma correta o Número Europeu de Emergência – 112.

 

Se suspeitar que alguém está a ter um AVC, tenha em atenção os seguintes sinais e sintomas:

  • Falta de força num braço
  • Boca ao lado
  • Dificuldade em falar

 

Encontrando-se perante sinais e sintomas de um AVC, deve:

  • Pedir à vítima para sorrir. Se notar alguma assimetria, ou seja, se a vítima sorrir apenas de um lado, poderá ser um indicador que o outro lado da cara está paralisado;
  • Verificar se a vítima consegue levantar os braços. Se estiver a sofrer um AVC poderá apenas conseguir levantar um deles;
  • Tentar estabelecer contacto verbal com a vítima e verificar se comunica com clareza. Normalmente a dificuldade em falar é um dos sintomas mais característicos.

 

Na presença destes sinais, não perca tempo e ligue de imediato 112!

A rápida assistência, o encaminhamento para a unidade de saúde adequada e a intervenção médica especializada são vitais para o sucesso do tratamento e posterior recuperação do doente.

Queimaduras

As queimaduras são lesões que resultam do contato com o calor ou frio extremo, substâncias químicas, eletricidade ou radiações. Os acidentes por queimaduras são muito frequentes e na sua maioria consistem em pequenas lesões que não originam grandes complicações.

 

No entanto, algumas queimaduras são potencialmente incapacitantes ou fatais, exigindo um tratamento correto e o mais precoce possível.

 

Algumas queimaduras, em certos locais do corpo humano, podem não só afetar a funcionalidade normal do corpo, como serem fatais. O socorro a estas vítimas resume-se essencialmente ao arrefecimento da queimadura e à prevenção das infeções. As queimaduras estão dividias em três níveis de gravidade.

 

Queimadura 1º grau (Menos grave):

  • Vermelhidão
  • Calor
  • Dor

 

Queimadura 2º grau (Gravidade moderada):

  • Dor intensa
  • Bolhas

 

Queimadura 3º grau (Mais grave):

  • Pele acastanhada, negra ou branca
  • Destruição de tecidos
  • Sem dor

 

Como atuar?

  • Avalie a situação e garanta as suas condições de segurança;
  • Afaste o agente que provoca a queimadura ou em alternativa a vítima do agente;
  • Lave e arrefeça abundantemente a zona da queimadura com água tépida (se não estiver na presença de um químico que reaja na presença da água) até alívio substancial da dor;
  • Cubra as áreas queimadas com compressas humedecidas com soro fisiológico ou água;
  • Controle a temperatura corporal, a hipotermia pode acontecer depois do arrefecimento;
  • Não remova as roupas se estas estiverem coladas ao corpo da vítima;
  • Não utilize gelo, pasta de dentes, manteiga, azeite, ou outro tipo de produtos para arrefecer ou hidratar a queimadura pois os mesmos poderão agravar as lesões;
  • Caso a queimadura seja ligeira, procure aconselhamento médico.

 

Em caso de emergência, ligue 112

Hemorragia Grave

Uma vítima que sangra continuamente corre risco de vida. É por isso vital controlar esta perda de sangue o mais depressa possível. Tendo em conta que uma hemorragia pode ser capilar, venosa ou arterial (sangue sai em jato), equacione a forma mais adequada que permita o controlo da hemorragia.

 

Como devemos atuar?

 

Aplique pressão: coloque uma compressa limpa e seca diretamente sobre o ferimento e pressione com firmeza. Se a compressa ficar empapada de sangue, não a retire e coloque outra por cima. Se necessário, retire ou corte as roupas para expor a lesão.

 

Eleve e apoie: se a hemorragia for num membro, deve elevá-lo para que fique num nível superior ao do coração da vítima, de modo a diminuir o afluxo de sangue à zona afetada.

 

Segure a compressa com uma ligadura: coloque uma ligadura em torno da compressa para a segurar no lugar e manter a pressão. Se o sangue ensopar a compressa, cubra-a com outra, utilizando uma nova ligadura para fixar.

 

Ligue 112 assim que possível.

 

Atenção:

  • Procure utilizar luvas para garantir as melhores condições de segurança para si e para a vítima;
  • Caso a vítima se sinta cada vez mais fraca, deite-a e eleve-lhe as pernas ligeiramente acima do nível do coração (+-30°);

Se existir algum objeto estranho a perfurar a vítima, não o remova: imobilize-o.

Crise Convulsiva

As crises convulsivas são provocadas por um excesso de atividade elétrica no cérebro que resulta numa breve rutura das mensagens que passam entre as células cerebrais. Podem ser causadas por crises de epilepsia, por traumatismos cranianos, entre outras causas. O melhor primeiro socorro é evitar que a vítima se magoe durante todo o episódio, que normalmente demora apenas alguns minutos.

 

Como identificar? Aqui ficam alguns sinais e sintomas:

  • Perda súbita da consciência;
  • Movimentos involuntários de parte ou de todo o corpo, tipo tremores;
  • Cor arroxeada da face;
  • Maxilares cerrados;
  • Mordedura da língua (poderá aparecer sangue na boca);
  • Incontinência urinária;
  • Após acordar, a vítima recupera a consciência mas poderá apresentar-se desorientada;
  • Possível sonolência e sem memória do episódio, que gradualmente vai recuperando.

 

O que fazer:

  • Torne a área segura e, se conseguir, ampare a vítima na queda. Afaste todos os objetos que estejam em redor da vítima, evitando que esta se magoe;
  • Proteja a cabeça da vítima: coloque almofadas, toalhas enroladas, cobertores ou, em último caso, estabilize a cabeça da vítima com as suas mãos para que esta não embata contra algo;
  • Não coloque nada na boca. Nada!;
  • Coloque a vítima em Posição Lateral de Segurança, assim que parar de tremer;
  • Ligue 112.

Convulsão Febril

As convulsões febris ocorrem normalmente nas crianças e são causadas por febre elevada ou por um aumento súbito da temperatura corporal. Estas convulsões ocorrem geralmente no início do episódio febril, coincidindo com a subida térmica. As convulsões febris são mais comuns entre os seis meses e os cinco anos de idade. A primeira convulsão febril gera sempre grande ansiedade na família, em particular pelo inesperado da situação.

 

Sinais e sintomas:

  • Temperatura corporal elevada;
  • Desmaio ou prostração, seguidos de convulsão;
  • História de convulsões febris com doença prévia.

 

O que fazer:

  • Proteger a criança: não a segure nem contrarie os movimentos. Tente colocar, por exemplo, almofadas à volta da criança para evitar que se magoe;
  • Arrefeça a criança: retire-lhe a roupa e dê-lhe um banho com água tépida. Abra uma janela, se possível, mas não deixe a vítima arrefecer demais;
  • Ligue 112: assim que a convulsão terminar, coloque a criança em Posição Lateral de Segurança; – Verifique e anote, de forma regular, o estado de consciência, a respiração e a pulsação.

 

Atenção:

  • Não tente arrefecer a criança passando-lhe uma esponja com água. Ao fazê-lo, a temperatura corporal poderá volta a subir;
  • Se uma criança tiver uma crise convulsiva febril, é provável que venha a ter outra se a febre voltar, mas isso não significa que a vítima esteja a desenvolver algum tipo de doença.

Hipoglicemia

A Hipoglicemia (baixa de açúcar) acontece quando os níveis de açúcar no sangue descem para valores abaixo do normal. Embora possa acontecer a qualquer pessoa, é mais comum acontecer a pessoas que sofram de diabetes, uma vez que são mais vulneráveis a este tipo de variações.

 

Numa crise hipoglicémica esteja atento aos seguintes sinais e sintomas, que se podem manifestar isoladamente ou em conjunto:

  • Tremores e fraqueza;
  • Pele pálida, fria e húmida ao toque;
  • Confusão e comportamento irracional;
  • Pulsação acelerada e respiração superficial;
  • Perda de consciência (desmaio).

 

Perante uma vítima consciente com uma crise hipoglicémica, deve tranquilizá-la e ajudá-la a sentar-se, dar-lhe uma bebida doce, como um sumo de fruta ou mesmo uma papa de água e açúcar. Se a vítima melhorar, ofereça-lhe de seguida uma peça de fruta ou uma barra de cereais. Se a vítima não reagir e o seu estado se agravar, ligue 112.

 

Se a vítima estiver inconsciente não lhe deve dar nada a beber ou comer. Deve, sim, esfregar uma papa de açúcar no interior da boca (bochechas).

 

Ligue 112! Nunca se esqueça que do outro lado da linha encontrará todos os conselhos necessários sobre o que fazer até à chegada de ajuda.

Dificuldade Respiratória

Quando o frio se faz sentir com maior intensidade, as doenças respiratórias tornam-se mais habituais e comuns. Idosos e crianças são os grupos etários mais vulneráveis a este tipo de problemas, que devem ser precavidos. A dificuldade em respirar é uma sensação de respiração difícil ou desconfortável, que geralmente exige um trabalho respiratório excessivo. É importante conseguir identificar e corrigir corretamente estas situações, pois podem implicar risco de vida.

 

Sinais e Sintomas:

  • Respiração acelerada, ruidosa e sibilante;
  • Tosse;
  • Incapacidade de falar ou completar frases;
  • Incapacidade para pensar com clareza;
  • A pele torna-se azul-acinzentada (cianose), sobretudo nas orelhas, lábios e pontas dos dedos.

 

Potenciais causas:

  • Obstrução das Vias Aéreas;
  • Incapacidade de mover o peito, devido a lesões no tórax que impeçam o normal movimento;
  • Oxigénio insuficiente no ar, devido à presença de gases tóxicos;
  • Doença crónica, como asma ou alergias, uma infeção, pneumonia, entre outras.

 

Como atuar?

  • Sente a vítima, colocando-a numa posição direita e confortável;
  • Incentive-a a respirar calmamente, inspirando pelo nariz e expirando pela boca;
  • Não permita conversas, aconselhando apenas a responder “sim” ou “não” através de gestos;
  • Não permita esforços físicos pois a fadiga vai agravar a situação;
  • Se a vítima utilizar habitualmente oxigénio em casa, não aumente o valor administrado;
  • Nunca deite uma pessoa com dificuldade respiratória, pois piora a situação.
  • Ligue 112

 

Todas as pessoas que tenham experienciado dificuldade respiratória têm de ser assistidas num hospital, mesmo aparentando já terem recuperado. É importante certificar que não houve dano permanente e confirmar a causa que originou a situação.

Intoxicações

Em caso de intoxicação contacte o CIAV através do número 808 250 143.

 

 

Trauma